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Um amigo é um presente - Obrigada Junim

Há algumas coisas na vida que confirmam minha disposição para continuar em busca de minhas utopias. Hoje tive a grata satisfação de ser aluna de um dos meus melhores amigos virtuais. Junim, um jovem inteligente, esperto e de generosa disposição, partilhou seus conhecimentos e ficou pacientemente aguardando minha limitada compreensão sobre configurações. Foi o novo gestor responsável por essa nova cara do blog. Adorei o seu bom gosto e carinho com a Luinha. Dê uma espiada, nas novas cores e no novo mural e confira. À minha amiga Su, minha gratidão, pois tudo começou lindo com você. Estamos no século da transformação e caminhamos no desafio de irmos cada vez melhor.
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Escrito por Luinha às 13h39
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Presente do jovem Knu, amigo lá do asilo do Humortadela.
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Obrigada Knu, adorei seu presente... Continue fazendo arte!!!
Escrito por Luinha às 09h57
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Rubem Alves
Ai ai... não resisti e lá vai mais um texto de Rubens Alves. Este, uma obra prima que me emocionou profundamente. Dedico a minha filha para fechar aquele papinho sobre poesia e beleza que tivemos no almoço do D. João lá no Jardim Botânico - Rio de Janeiro. Aliás, uma pedida pra lá de quente. Peçam a salada do Amor-exigente com os deliciosos pasteizinhos. Dedico também ao Juremir Machado, de Getúlio, cronista temperamental do Correio do Povo lá dos Pampas. Ele tem toda razão quando nos conta que toda unanimidade é burra, mas digo-lhe - tentadora - para alimentar a nossa onipotência. Luz, minha querida amiga, lembrei-me tanto de você. Tem o cheirinho doce de sua forma carinhosa de ser. Beijos
Escrito por Luinha às 21h32
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A minha escrita são as minhas mãos que se estendem, à procura de amigos.- Parte 1
Rubens Alves entrevista Nietzsche tocando flauta
“O meu nome é Zaratustra, e me espanto de que você me tenha pedido para tocar uma "variação filosófica" na minha flauta. Com certeza você não me conhece. Sou músico. Mas a música que toco não agrada aos filósofos. Basta que eu comece a tocar para que os filósofos comecem a correr.
A flauta que tenho na mão é a flauta de Dionísio, o deus grego da alegria. Ela tem poderes mágicos, semelhantes aos da flauta do flautista de Hamelin. Quem ouve a sua música fica alegre e se põe a dançar. (FN III, p.(II) 1146; Ecce Homo, " O Caso Wagner", #1).
Por isso os filósofos correm: eles têm medo de que eu, com minha música, os faça dançar. A dança é o que mais os amedronte. Porque dança é coisa que se faz com o corpo inteiro. Mas os filósofos não têm corpo. Eles só têm cabeça e olhos. É dos seus olhos que nascem os seus pensamentos. Não sabendo dançar, nem mesmo pensar eles sabem. Porque pensar é dançar com os pensamentos. Os pensamentos dos filósofos não dançam. Eles marcham, como soldados em ordem unida.
Por muitos séculos esta flauta esteve enterrada. Desde Sócrates, quando a razão triunfou sobre o instinto. Foi nesse momento, quando a flauta de Dionísio foi enterrada, que a decadência do mundo grego começou. (FN-III (II) p. 1109, Ecce Homo, Prefácio, 2 ).
Essa flauta tem o poder mágico de acordar o instinto. Aqui já aparece o meu conflito com os filósofos: falei em magia. Para os filósofos magia é superstição. Os filósofos não acreditam que as palavras tenham o poder de criar. As palavras são, para eles, apenas "ferramentas" na oficina da razão. Eles "usam" as palavras. Suas palavras pertencem ao mundo da "utilidade". Mas magia é, precisamente, criar pelo poder da palavra.
Em oposição aos filósofos, as palavras para mim são música. Eu as uso como quem toca um instrumento, porque elas são belas, porque elas são diáfanas pontes coloridas sobre coisas eternamente separadas, pelo prazer que me dão. As palavras fazem amor. Minhas palavras pertencem ao mundo do deleite, da fruição.
Faço isso não só por puro prazer, mas porque acredito que a beleza e a alegria são divinas. São elas que dão ao homem o poder de contemplar e viver a tragédia sem serem destruídos por ela. Foi assim que os gregos triunfaram sobre a tragédia: eles a transformaram em beleza. E ainda há alguns que me acusam de impiedade, de não acreditar em Deus. Como dizer isso, se a beleza existe? Acredito em deus, sim, num deus que dança...
*[ “Eu poderia crer somente num deus que dançasse. E quando vi o meu demônio eu o encontrei sério, rigoroso, profundo e solene: era o espírito da gravidade – por ele todas as coisas afundam. Não se mata por meio do ódio. Mata-se por meio do riso. Venham, vamos matar o espírito de gravidade! Agora estou leve! Agora eu vôo! Agora um deus dança através do meu corpo.” ( FN II ( II ) p.307 , Assim falou Zaratustra, “Sobre o ler e o escrever” ]*
É verdade que, vez por outra, eu uso as palavras como ferramentas, por vezes como diapasão, para testar a afinação, às vezes como fogo, havendo alguns que chegaram a me acusar de incendiário, como martelos e marretas, para destruir e até mesmo como pimenta....
Mas, se faço isso, eu o faço da mesma forma como o cozinheiro usa a faca e os fogos, da mesma forma como o escultor usa o martelo e o cinzel, da mesma forma como o jardineiro usa as cavadeiras e as enxadas, da mesma forma como o parteiro usa os forceps: para que uma coisa nova, bela e alegre possa nascer. Todo criador tem de ser um destruidor.
*[ “Entre as condições para a tarefa dionisíca estão, de uma forma decisiva, a dureza do martelo, a alegria mesmo em destruir. ... Todos os criadores são duros... ( FN III (II), p. 1140. Ecce Homo, “Assim falou Zaratustra”, #8) ]*
Não é assim que os filósofos usam as palavras. A oficina deles só tem instrumentos de ótica: óculos dos mais variados tipos, lentes, microscópios, telescópios, prismas, velas, lanternas, lâmpadas, holofotes, e especialmente espelhos. Muitos espelhos. Os filósofos desejam ser espelhos, espelhos de cem olhos. Todos os outros instrumentos existem por causa dos espelhos. A filosofia deseja ser um reflexo, um reflexo apenas. A isso os filósofos dão o nome de verdade. ( PN II ( II ) p. 652, Assim falou Zaratustra ).
Stendhal descreveu com precisão o caráter do filósofo. "Para se ser um bom filósofo", ele disse, "é preciso ser seco, claro, sem ilusões. Um banqueiro que fez fortuna tem uma parte do caráter exigido para se fazer descobertas em filosofia, ou seja, para ver com clareza dentro daquilo que é". ( FN-III, (II)p. 603; Além do Bem e do Mal, 40).
Escrito por Luinha às 21h16
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A minha escrita são as minhas mãos que se estendem, à procura de amigos. - Parte 2
cont...
Houve um outro pensador que disse que a única coisa que os filósofos profissionais queriam era interpretar o mundo. Ora, interpretar é refletir, produzir uma imagem. Mas até mesmo as mulheres vaidosas que passam o dia contemplando a sua imagem nos espelhos o fazem para ver se há formas de ficarem mais belas. De forma alguma se conformariam com uma imagem feia. O mundo pede para ser transformado.
O deserto deseja ser um jardim. "Faça amor comigo!", diz o mundo. A que o filósofo responde: "Isso eu não posso. Para isso falta-me o órgão apropriado... Mas trago comigo uma câmera fotográfica. Que tal, ao invés do amor, uma foto colorida?"
Os filósofos desejam ver. Mas a minha alma é de músico. O mundo, para mim, é um instrumento cósmico onde dormem as mais belas melodias. Os filósofos dizem que estão em busca da verdade. Mas a verdade, para eles, é o que é. Mas aquilo que é não pode não pode ser a verdade. A verdade do piano não é o piano: são as músicas que ele pode tocar. A verdade é o possível. Onde estava a sonata antes de ser tocada no piano? Estava no sonho do compositor. A verdade do universo está nos corações dos homens, no lugar dos seus sonhos. " Todos aqueles que tiveram de criar tiveram também os seus sonhos proféticos e sinais astrais – e fé na fé." Quem só reflete, como espelho, sem sonhar, é estéril. ( FN – II – (II), p. 378) Em que lugar do mundo se encontram as peças de Schumann, para serem refletidas? Em lugar algum. Daí minha tristeza, ao contemplar os meus contemporâneos. Escrevi, para eles, palavras amargas e tristes.
*[ “Esta, na verdade, é a amargura das minhas entranhas, que eu não posso suportar vocês nem nús e nem vestidos, vocês, homens de hoje. Tudo o que é sinistro no futuro e tudo o que jamais fez pássaros fugitivos tremer é certamente mais confortável e familiar que a sua “realidade”. Pois assim vocês falam: “ Somos reais, inteiramente, sem crenças ou superstições.” E assim vocês estufam os peitos - mas eles são ôcos! (...). Nos seus espíritos todas as eras tagarelam umas contra as outras; mas os sonhos e a tagarelice de todas as eras são mais reais que a sua vigília. Vocês são estéreis: essa é a razão por que vocês não têm fé. Porque todos os que tiveram de criar também tiveram seus sonhos proféticos e sinais astrais - e tiveram fé na fé. Vocês são portas semi-abertas onde os coveiros esperam. E essa é a sua realidade: “ Tudo deve perecer”.]*
A evidência de que o possível foi atingido, ainda que num momento fugaz, está na experiência de alegria. Na alegria o corpo, encantado, está dizendo: " É isso mesmo! Assim é, assim deve ser!"*
Tive essa experiência muitas vezes. Com a flauta de Dionísio eu desejo acordar o possível, fazer o mundo vibrar, como música. Não me basta ver sem tocar. Quero sentir o mundo estremecer de amor, ao sentir o toque mágico das minhas palavras.
É isso que me separa dos filósofos: sou um amante. Tenho uma caso de amor com o universo...
Eu toco a flauta de Dionísio para acordar o instinto. Instinto é a fonte transbordante de vida que borbulha dentro do corpo. Foi aí, nessa fonte de vida, dentro do corpo que encontrei a flauta de Dionísio.
Mas não salte para conclusões precipitadas, imaginando que eu pertenço ao rebanho dos psicanalistas. É verdade que também eles descobriram os instintos. Mas, tendo vergonha de tocar a flauta de Dionísio, por medo de que os filósofos os acusassem de feitiçaria, ao se aproximarem da fonte borbulhante de vida as suas palavras agitam o lodo, e a água cristalina fica suja. Basta que falem para que as flores se transformam em esterco e a felicidade se transforme em infelicidade.
Nisto eles revelam seu parentesco com seus ancestrais, os sacerdotes que, como disse o poeta William Blake, à semelhança das lagartas que escolhem as folhas mais belas para nelas botar os seus ovos, escolhem as nossas alegrias mais belas para nelas botar suas maldições ( William Blake, The Portable Blake, p. 254).
Comigo é diferente: quando eu toco a minha flauta os monstros se põe a rir. Eu gostaria que os psicanalistas ouvissem o que eu disse de Édipo, o seu heroi: "Ele subjugou monstros, decifrou enigmas: mas é preciso que ele redima ainda os seus próprios monstros e enigmas, transformando-os em crianças celestiais. Até agora o seu conhecimento não aprendeu a sorrir e a ser sem inveja; até agora a sua paixão torrencial não encontrou a tranquilidade da beleza." ( FN II (II), p. 374; Assim Falou Zaratustra, II, " Sobre aqueles que são sublimes").
Concordamos, os psicanalista e eu, em que o corpo é um mar e " a consciência é a superfície" ( FN-III - p.(II)1095; Ecce Homo # 9). Mas, em oposição às suas funduras sinistras, " o fundo do meu mar é tranquilo: quem poderia imaginar que nele vivem monstros brincalhões? Minhas profundezas são imperturbáveis. Mas elas cintilam com enigmas e risos nadantes." (FN-II (II) p.372; Assim Falou Zaratustra, II, " Sobre aqueles que são sublimes").
Dentro de todos os abismos eu ainda levo comigo o meu "Sim" abençoante... - Mas isso, de novo, é o conceito de Dionísio. ( FN -III, . (II), p. 1136).
Os psicanalistas desconfiam dos instintos e chegam mesmo a falar de um instinto de morte. Para eles o instinto é burro, irracional, só quer prazer. Daí o nome de "princípio do prazer" que o fundador da psicanálise deu ao princípio mais fundo da alma humana.
Eu concordo: o prazer, em si mesmo, é burro e irracional. Mas, para mim, o que se encontra no fundo da alma humana, ali no lugar onde brotam as fontes das águas da vida, não é o desejo do prazer mas o desejo da alegria. A alegria está ligada à beleza. A alegria é a marca da beleza. A alegria é a prova dos nove...Sempre que se tem alegria pode-se saber que a beleza se mostrou. Freud falou no “princípio do prazer”. Eu digo “princípio da beleza”...
Ah! Você pede uma imagem... É assim. Prazer é a experiência do orgasmo puro. Pode ser produzido até por masturbação. Alegria é o que sente o amante na simples memória do rosto da pessoa amada. O orgasmo, como todas as experiências de prazer, uma vez acontecido, esgota-se. Não se deseja mais. Prazer é descarga. A alegria, ao contrário, não se cansa. A alegria, pela simples memória do rosto da pessoa continua suavemente. A alegria é a experiência de união com objeto amado. O prazer tem a ver com o corpo só. A alegria, ao contrário, é uma experiência de amor: o corpo em harmonia com o mundo. Também eu desejo a razão. Mas, por oposição àqueles que pensam que a razão é um espelho do real, eu afirmo que a razão é um artista que toma o real como matéria prima para transformá-lo, de sorte a produzir a beleza e a alegria. "A única felicidade está na razão. Mas a razão mais alta está na obra do artista, ( que em tudo se assemelha) a gerar e educar um ser humano" ( The Portable Nietzsche p. 50).
Escrito por Luinha às 21h16
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A minha escrita são as minhas mãos que se estendem, à procura de amigos. - Parte final
cont...
Vou fazer uma confissão que não deveria fazer, porque sei que os "filósofos" vão usá-la contra mim. Foi num longo período de doença que a minha filosofia nasceu. Foi então que "eu descobri de novo a vida, inclusive a mim mesmo. Foi então que provei todas as coisas boas, mesmo as pequenas, de uma forma que os outros não podem provar com facilidade. Transformei então a minha vontade de saúde, a minha vontade de vida, numa filosofia". (FN-III, p. (II) 1072; Ecce Homo, " Por que eu sou tão sábio" #2.). " Somente a minha doença me trouxe à razão" (FN - III, (II) p. 1072; Ecce Homo, p.(II)1086, " Por que eu sou tão esperto" # 2).
É preciso estar na iminência de perder as coisas para tomar consciência delas. A possibilidade de perder aguça a capacidade de sentir o gosto. Assim aconteceu comigo. Minha filosofia, assim, nasceu da mais alta afirmação da vida, "da abundância, da exuberância, do Sim sem reservas, mesmo ao sofrimento, mesmo à culpa, mesmo a tudo aquilo que é questionável e estranho na existência" ( FN-III- (II) p. 1109, Ecce Homo, " O Nascimento da Tragédia" # 2).
Isso foi coisa que aprendi com os Gregos: para se enfrentar o trágico é preciso que o corpo esteja possuído pela Beleza.
A doença, com a possibilidade da perda, transformou os meus olhos. Não me bastava espelhar o mundo dentro dos meus olhos. Eu queria possuí-lo, sentir o seu gosto bom. Isso que digo me apareceu "num sonho, no último sonho da manhã...
" ... eu me encontrava ao pé das colinas - além do mundo; tinha uma balança nas minhas mãos e pesava o mundo... Com que certeza meu sonho olhava para esse mundo finito - não fazendo perguntas, não querendo possuir, sem medo, sem mendigar... - era como se uma maçã inteira se oferecesse à minha mão, maçã madura e dourada, de pele fresca, macia, aveludada, assim esse mundo se ofereceu a mim... - como se uma árvore me acenasse, galhos longos, vontade forte, curvada como um apoio, lugar mesmo de descanso para o caminhante cansado, assim estava o mundo ao pé das minhas colinas;
-como se mãos delicadas me trouxessem um escrínio, um escrínio aberto para o deleite de olhos tímidos, olhos que adoram, assim o mundo se ofereceu hoje a mim; -não um enigma que assusta o amor humano, não uma solução que faz dormir a sabedoria humana: uma coisa boa, humana: assim o mundo foi, para mim, hoje, embora tanto mal se fale dele..." ( FN- II, (II),p. 435).
Mas aqui é preciso ter cuidado. Nem todos aprenderam o segredo da alegria. "A vida é uma fonte de alegria; mas ali, onde a plebe também bebe, todas as fontes ficam envenenadas" ( (FN-II- (II) p. 346; Assim falou Zaratustra, II, "Sobre a Compaixão"). A estes, os mais desprezíveis, plebe, incapazes de dar à luz uma estrela, solo onde nenhuma árvore alta cresce - a estes eu apelidei de " os últimos homens" (FN II (II) p.284; Assim falou Zaratustra, I, #5).
Eles dizem haver inventado a felicidade. Pensam que felicidade é ficar assentados num charco, onde os naufrágios são impossíveis. Pensam que felicidade é conforto. Sonham com a "terra da Cocanha", a terra onde o vinho corre no leito dos rios, as paredes das casas são feitas de bolo, e os leitões e aves assados correm para a boca dos preguiçosos. Engordam, indolentes e estéreis, sob a sombra das árvores, incapazes de ficar grávidos e dar à luz Jamais sobem as montanhas; jamais se arriscam pelos desertos; jamais navegam por mares desconhecidos.
Minha felicidade é outra. "Você nunca viu a vela que entra no mar, redonda, tensa e trêmula com a violência do vento? Como aquela vela, tremendo com a violência do espírito, a minha sabedoria entra no mar - minha sabedoria selvagem". ( FN-II-(II) p.362; Assim falou Zaratustra, II, " Sobre os Sábios Famosos").
Há uma felicidade que só se experimenta quando se vive "como os ventos fortes, vizinhos das águias, vizinhos da neve, vizinhos do sol: assim vivem os ventos fortes. E como um vento forte eu desejo soprar..." (FN-II (II) p.356; Assim falou Zaratustra, II, "Sobre a Plebe")]*. "O segredo da maior fertilidade e do maior gozo da existência é: vivam perigosamente! Construam as suas cidades debaixo do Vesúvio! Enviem os seus navios aos mares desconhecidos! Vivam em guerra com seus iguais e com vocês mesmos! Sejam ladrões e conquistadores...!" (FN-II-(II) p. 166; CA ( Ciência alegre), # 283).)
Aos filósofos bastam os reflexos num espelho. Mas eu preciso de risos, de dança, de beleza. Por isso eu conto parábolas, faço aforismos, escrevo com sangue. ( FN-II- (II) p. 305)
Concordo com Kierkegaard, filósofo que nunca li: a verdade do coração, morada da alegria, não se encontra na letra; ela se encontra na música, além das palavras. Ensinar a alegria: é isso que eu desejo.
Escrevi que os sacerdotes são meus inimigos. “E, no entanto, meu sangue está ligado ao deles, e eu desejo saber que o meu sangue é honrado mesmo no deles" ( FN-II- (II) p. 348; Assim falou Zaratustra, II, "Sobre os Sacerdotes")
Pois eles usavam boas palavras para falar dos mistérios dos seus sacramentos, sem saber que sacramentos são parábolas. Diziam que o pão e o vinho eram acidentes onde se escondia uma substância sagrada, o corpo de Deus. Digo o mesmo dos meus sacramentos: os meus saberes são apenas acidentes; a substância divina é alegria, o corpo de Deus que mora neles. Nessa eucaristia eu acredito. Essa eucaristia eu celebro. Os saberes são taças que transbordam de alegria. A minha escrita são as minhas mãos que se estendem, à procura de amigos.
Desejo aqueles para quem escrevo. Quero que eles dancem ao som da flauta de Dionísio, que é o símbolo da afirmação incondicional da vida, mesmo com todo o seu sofrimento e terror. É assim que entendo as palavras, meus brinquedos. "Palavras e sons: que são eles senão diáfanas pontes iridescentes entre coisas eternamente separadas?" ( " sind nicht Worte und Töne Regenbogen und Schein-Brücken zwischen Ewig-Geschiedenen?") " Não foi para isso que os nomes e os sons foram inventados, para que o homem encontrasse refrigério nas coisas? Falar é uma deliciosa loucura; por meio da fala o homem dança sobre todas as coisas. Que adorável é toda fala e o engano dos sons! Por meio dos sons o nosso amor dança sobre arcor-iris coloridos..." ( FN-II-(II) p.463); Assim falou Zaratustra, III, " O Convalescente" # 2) .
" Da minha beleza cresce uma fome...Dentro de mim há algo insaciável, que deseja poder ser dito. Um desejo de amor está em mim, desejo que fala a linguagem do amor" ( FN-III, (II) p. 1137), Ecce Homo, "Assim Falou Zaratustra", # 7)]*
. E o que ela diz é que " vida é uma fonte de alegria", " e que o nosso pecado original é que temos tido muito pouca alegria. (FN-II-p.(II) p.354, 346) Para isso eu escrevo: para ensinar a alegria.
Porque escrevo para fazer rir, para brincar, para mostrar a beleza, filósofo não sou. Sou bufão, sou criança, sou poeta..."
“Assim, para fora
da minha verdade-loucura
eu mergulhei,
para fora
da minha nostalgia pelo dia,
-cansado do dia, doente da luz,-
mergulhei para o fundo,
para a noite,
para a sombra,
-queimado pela verdade,
e sedento:
Tu te lembras ainda,- te lembras, coração ardente,-
de como tinhas sede?
Que eu seja exilado
de toda a verdade,
somente um tolo!
Somente um poeta! ( FN II ( II) p. 810, Assim falou Zaratustra )
Ditas essas palavras ele se pôs a rir. Tomou a flauta de Dionísio, começou a tocar e, à medida que tocava, foi ficando leve, leve, até que flutuou, dançante, no ar...
Escrito por Luinha às 21h15
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O sonho não morreu. Ele continuará, para sempre.
Olá, pessoal, Hoje estava naqueles dias "branco". ai ai. Precisava rapidinho mudar o cenário do meu coração. Embora muito cansada, resolvi vasculhar algo de muito bom. Veio a minha cabeça visitar o site do Rubens Alves. Ele tem o dom de fartar de alegria o meu coração.
Ofereço o papo dele com Marx para o lobo cético que se perdeu na seca paisagem do belo Vale. Minhas saudades, para você sonhar.

Escrito por Luinha às 21h05
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O sonho não morreu. Ele continuará, para sempre. - Parte 1
Rubens Alves entrevista Max numa cervejaria
Pensei, inicialmente, que uma variação sobre o prazer, a ser composta por economistas, banqueiros e homens de negócios, deveria ser executada tendo como instrumento musical as caixas registradoras, das antigas e das modernas. As antigas, por seus sons metálicos e suas teclas que nos fazem lembrar de órgãos, cravos e pianos. Também as manivelas, que um lutier habilidoso poderia transformar numa "viela de roda", instrumento medieval que não mais se usa, mas que pode ser visto em museus e em telas de Brueghel. As caixas registradoras modernas e seus sons eletrônicos fariam inusitados duetos com as vielas medievais, atestando assim o fato de que o dinheiro possui os atributos da divindade: ignora o tempo, é eterno. Tudo isso acompanhado por pandeiros, cujos sons fazem lembrar o tilintar do dinheiro... E os ritmos seriam sincopados e rápidos, como contraponto às extra-sístoles e taquicardias que marcam o mundo das bolsas de valores. Pensei que isso estaria em harmonia com a estética dos economistas. A maioria, de fato, concordou comigo. Mas houve um que protestou: era um velho de cabeleira e barba imensas, que fazia lembrar Walt Whitman. Encontrei-o, por acaso, assentado sozinho à mesa de um bar que eu freqüentava. Bebia cerveja e fumava charuto. O fato de estar sozinho sugeria que se tratava, provavelmente, de um intelectual decadente ou aposentado. Assentei-me à sua mesa. Ele começou a falar. Contou-me que seus discípulos o haviam abandonado. É comum que os filhos venham a se envergonhar dos pais. Isso acontece quando os pais, com o passar dos anos, vão ficando velhos. Com a velhice vem a verdade: com o enfraquecimento dos mecanismos de censura os pais, outrora recatados e pudicos, começam a revelar um erotismo jamais imaginado, para vergonha dos filhos. Velhos não devem ter erotismo. Os filhos, então, não mais querem saber da sua companhia. Às vezes acontece o contrário: os filhos se envergonham daquilo que os pais já foram, e tratam de separar o seu presente respeitável do seu passado duvidoso. Alguns chegam ao extremo de queimar arquivos fotográficos. " - Você está enganado sobre a economia", ele me disse em voz baixa. Parecia temer que alguém o ouvisse, como se estivesse dizendo uma heresia. " A economia não é a ciência das caixas registradoras, do dinheiro. Sei que, para muitos, é isso que ela é. Mas para mim é uma outra coisa: é a ciência do prazer. Dizer que a economia é a ciência do dinheiro é o mesmo que dizer que a culinária é a ciência das panelas. Alguns pensam que sou um economista como os outros porque dediquei grande parte da minha vida ao estudo do maior jogo de dinheiro jamais havido na história. Mas, se eu o fiz, foi porque eu queria decifrar os descaminhos do prazer. Estudei a panela para saber o que estava acontecendo de errado com a comida. Eu acho que o objetivo da vida é o prazer. Isto está inscrito em nossos próprios corpos. Nossos corpos não são máquinas produtivas - não pertencem inteiros a " Feira das Utilidades". Sim, é claro, trabalhamos, produzimos. Mas somos diferentes dos animais. “Os animais constroem somente de acordo com as padrões e necessidades da espécie. Os homens constroem também de acordo com as leis da beleza (Marx’s concept of man, Erich Fromm, New York, Frederick Ungar Publishing Co., 1964, “Manuscritos econômicos e filosóficos”, p. 102 ). Gostamos dos livros, mesmo quando não derivamos de sua leitura nenhum resultado prático. O corpo contém uma certa exigência de "prazer inútil” – sem valor econômico. Desde jovem sonhei com uma condição em que o trabalho, à semelhança daquilo que acontece com os artistas, pudesse ser um motivo de prazer. O trabalho não apenas como meio de vida, mas o trabalho como brinquedo. As crianças brincam por puro prazer. Imaginava uma situação em que os homens, ao terminar o seu trabalho, sorririam de felicidade, e veriam o seu próprio rosto refletido em sua obra, da mesma forma como Narciso via o seu rosto refletido na água da fonte. ( Ibid. p102 ) Veja, por exemplo, os sentidos! Que prazeres extraordinários eles nos dão! É verdade que em sua condição bruta os sentidos somente atendem às necessidades elementares da sobrevivência. Um homem faminto não é capaz de fazer distinções sutis entre gostos refinados: angu ou lagosta - é tudo a mesma coisa. Saindo dessa condição bruta de existência, entretanto, os sentidos se refinam, desenvolvem-se, tornam-se sensíveis a prazeres que até então lhes eram desconhecidos. O grande trabalho da história, até agora, tem sido a educação dos sentidos. A história impulsiona o corpo humano na direção de uma exuberância dos sentidos cada vez maior. A história conspira para que os homens sejam cada vez mais felizes. “O cultivo dos cinco sentido é o trabalho de toda a história passada” . ( Ibid. p. 134 ) Eu entendo que a economia é a ciência dos meios necessários à realização erótica dos homens. Como tal, ela pertence à "Feira das Utilidades". A economia é um instrumento para que os homens cheguem à " Feira da Fruição". O que atormenta o meu pensamento”, ele continuou, “ é uma contradição: a economia explica a riqueza das nações. Mas ela não consegue dar uma explicação aceitável para a miséria e a pobreza dos homens. Meu pensamento oscilava: num momento eu sonhava os sonhos mais loucos e utópicos: eram esses sonhos que eu queria ver realizados. Imaginava que os homens, um dia, conseguiriam arrebentar as correntes que os prendiam, e que podereiam então colher a flor viva da vida, , tão próxima das suas mãos. (Que ninguém nos ouça: eu procurava o caminho de volta ao Paraiso. Como poderia eu me esquecer do grande mito com que a Torah, livro sagrado do meu povo, se inicia?)
Escrito por Luinha às 20h55
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O sonho não morreu. Ele continuará, para sempre. - Parte 2
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Num outro momento meu pensamento deixava de sonhar e se voltava para as condições materiais da produção da história. Não que eu me esquecesse dos meus sonhos. Eu procurava a ciência como meio para a sua realização. Estudava as panelas e o fogo por amor à moqueca... Voltei-me para a história por acreditar que, sendo nela que a pobreza e a miséria dos homens era produzida, seria nela que elas seriam superadas. Se os problemas dos homens são criados na história, teria de ser nela que eles seriam resolvidos. Para se desfazer o nó é preciso saber como ele foi produzido. A atividade dos homens para produzir a sua vida - a isso eu dei o nome de praxis. Dei-me conta de que a teologia e as religiões, ao pregar que a história acontece pela atividade de Deus, impedia que os homens a compreendessem como resultado de sua própria atividade. As religiões, assim, têm um duplo efeito. O primeiro é a paralisia da inteligência dos homens. Se tudo acontece pela vontade de Deus então é inútil tentar entender a história como produto das ações dos homens. O segundo é a paralisia moral. Se tudo acontece pela vontade de Deus, tudo é sagrado. E eu via os miseráveis operários sacralizando a sua miséria com o dito conformado: “ Deus quis...” A história não se faz só com sonhos. Quem sonha com um banquete há de dominar a ciência das panelas e dos fogos. Tornei-me inimigo dos sonhadores ingênuos que pensavam que bastaria que os homens mudassem as suas idéias para que o mundo mudasse também. Moquecas não se fazem só com idéias e intenções. Quem quer mudar o mundo tem de ser um especialista no uso do fogo. Na história, esse uso do fogo tem o nome de política... Não estranhe o meu uso das imagens culinárias. Só me atrevo a fazer uso delas longe dos intelectuais, nessa mesa de bar... Em um contexto acadêmico eles diriam que eu devo estar bêbado ou senil. Aqui eu posso me dar ao luxo de falar como um poeta. Aprendi muito com eles. Durante um certo tempo, inclusive, eu convivi com um intelectual maldito ( ah! como os malditos são maravilhosos!). Sua filosofia tinha a beleza da poesia. Lê-lo era um deleite. O insólito dos seus conceitos se misturava com a beleza das suas imagens. Foi ele que chamou a minha atenção para a importância dos sentidos. O seu nome já tinha algo de culinário, fogo, "Ribeiro de Fogo", Feuer / bach. E culinária também era a sua metafísica, pois que se comprazia em dizer que " somos o que comemos". Na minha juventude fui seu discípulo, e sob a sua influência escrevi textos saborosos... O que, para os intelectuais, é sempre um pecado. Eles pensam que a verdade deve ser insípida. Essa relação, depois que envelheci, passou a ser um motivo de embaraço para os meus seguidores. Causava-lhes mal-estar imaginar que eu havia sido influenciado por ele. Trataram, então, de queimar o arquivo. Desqualificaram os textos que eu escrevera, sob a alegação de que, ao escrevê-los, eu era jovem demais, imaturo, ainda não descobrira o caminho da ciência, e falava com as palavras imprecisas da filosofia. Espalharam, então, que tal fase perturbada havia terminado com uma tal "cesura epistemológica" expressão que, traduzida, quer dizer: de repente, como uma cigarra que passa por uma metamorfose e deixa a casca, ele deixou a sua casca filosófica em algum lugar e se pôs a voar com as asas da ciência. Era de um jeito, ficou de outro. Falava sobre os homens, passou a falar sobre estruturas. Era humanista, virou estruturalista. E chegaram mesmo a dizer que, para ler os meus escritos, era preciso ter sempre em mente um rigoroso anti-humanismo metodológico. Estruturalista! Sim, é verdade que o capital funciona como uma estrutura. Como se fosse uma máquina, com suas leis próprias. Mas se eu assim o estudei, é porque eu queria desvendar o segredo dessa cozinha perversa onde os cozinheiros ficavam sempre com fome. Com essas palavras ele bebeu o que restava na caneca, enxugou a espuma do bigode, pediu outra cerveja, reacendeu o charuto que se apagara, enfiou a mão no bolso do paletó zurrado, tirou de lá um livrinho e me deu com estas palavras: " A alegria é a prova dos nove. Esse livrinho fala sobre isso... “ Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844: esse era o título. Autor: Karl Marx. Fez-se silêncio. Comecei a lê-lo. À medida que virava as páginas eu não conseguia evitar as traduções culinárias que o texto me sugeria. Era como se a conversa não tivesse acabado, como se ele ainda continuasse ali, ao meu lado, falando. Primeiro manuscrito: " O Trabalho Alienado": " Mas que história é esta? O trabalhador faz a comida e é um outro que come tudo, só lhe sobrando a raspa da panela?" Segundo manuscrito: “Propriedade Privada”: " Mas claro! Tem de ser assim. O operário come a raspa porque ele não é o dono da panela. Quem é dono come a comida. Quem não é dono come o que sobra."
Escrito por Luinha às 20h54
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O sonho não morreu. Ele continuará, para sempre. - Parte 3
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Terceiro manuscrito: "Que perversa transformação esta cozinha opera sobre os que comem da sua comida! Os homens são roubados dos seus sentidos, perdem a capacidade de sentir prazer!" Perguntem à Babette qual é o fim da culinária... Ela responderá: " O prazer, a alegria!" E, para dar prazer e alegria ela gastou tudo o que tinha. Ficou mais pobre de dinheiro. Ficou mais rica humanamente! Perguntem ao dono do restaurante qual é o fim da culinária. Ele responderá: " O lucro". Claro que mesmo nos restaurantes capitalistas se serve o prazer dos sentidos. Mas a mola propulsora do "negócio" não é o prazer da comida; é o prazer da caixa registradora. Ah! Como é maravilhosa aos ouvidos do proprietário a sua música! Vá a um banco, vá a uma bolsa de valores! Lá, por acaso se fala sobre os prazeres gastronômicos? De forma alguma. Lá se fala sobre o prazer que se tem num jogo abstrato que se joga sobre a lógica do verbo "ter". Aí ele interrompeu a minha leitura e continuou. “Veja: eu não estou dizendo que os indivíduos não mais sintam prazer. Há, no capitalismo, prazeres refinados, e muitos. Estou dizendo outra coisa: que dentro da sua lógica, dentro da "razão capitalista", os prazeres não contam. Eles não são tomados em consideração, não são pensados como ponto de chegada da viagem. Para o capitalismo o objetivo da viagem é um só: o lucro. E, assim, dentro da lógica do sistema, os restaurantes e as fábricas de armas estão no mesmo nível, são peões do mesmo jogo de xadrez. Ninguém, no pregão da bolsa de valores, se pergunta sobre quais ações estão ligadas às empresas que dão mais prazer. Quem fizer isso logo ficará pobre. A lógica do jogo do dinheiro exige que os prazeres dos sentidos sejam desconsiderados. Esse jogo perverso nos tornou " tão estúpidos e parciais que somente consideramos nosso um objeto quando o possuimos, quando ele é utilizado de alguma forma. Assim, todos os sentidos físicos e espirituais são substituidos pela simples alienação de todos esses sentidos, ou seja, pelo sentido da posse(...) Quanto menos você comer, beber, comprar livros, for ao teatro, aos bailes, às boates, quanto menos você pensar, amar, teorizar, cantar, pintar, tanto mais você será capaz de economizar e tanto maior será o seu tesouro. Quanto menos você for, tanto mais você terá..." ( Ibid. p. 132 ). O capitalismo só conhece as coisas passíveis de serem transformadas em mercadorias, isto é, coisas que podem ser fabricadas, vendidas e compradas. Mas o prazer não é dado automaticamente pelo ter. Posso ter o mais fantástico aparelho de som e a maior coleção de CDs. O prazer dependerá de uma qualidade espiritual minha, do meu ser, uma sensibilidade para a música, que não pode ser comprada por dinheiro. É preciso que os sentidos sejam educados! O prazer e a alegria crescem de uma relação erótica com o objeto, isso que se chama amor. E essa relação não pode ser comprada. Cresce de dentro. O espírito do capitalismo dominou de tal forma a cabeça das pessoas que até mesmo aqueles que se dizem meus discípulos foram enganados. Veja o caso da educação. Os professores de "esquerda" têm medo dessa palavra "amor", e a julgam babaquice romântica. De fato, "amor" é coisa que a ciência não consegue pensar. Preferem, os professores, considerar-se "trabalhadores" que ganham pelas "mercadorias intelectuais" que produzem de forma competente, sob a forma de um saber. Como professor produzo tal mercadoria que vale tanto. Ignoram que isso é o que sempre detestei! Ao assim pensarem o ensino, eles o inserem na perversa lógica dos "valores de troca". Valor de troca é uma "quantidade abstrata" que mora tanto num revolver quanto num jantar, e que permite essa equação horrenda, base de todo o jogo econômico: "X" jantares = "Y" revólveres. O prazer e a morte são a mesma coisa... E em qual escola se gasta tempo na educação dos sentidos? Bobagem. Isso é coisa da " Feira da Fruição" - não circula no sistema. O que importa é a " Feira das Utilidades" - seus saberes úteis, transformáveis em mercadoria, passíveis de circular no mercado de trabalho. Por que gastar tempo no desenvolvimento das inúteis potencialidades do ser, na educação dos sentidos para os prazeres inúteis, insignificante do ponto de vista econômico, se os corpos podem ser transformados em unidades de produção. O que é um profissional? É um corpo, outrora portador de sentidos, que se transformou em ferramenta, utilidade. " Quanto menos você for, mais você terá..." Mas o que me entristece é que meus discípulos não entenderam nada do que eu disse. Acharam que prazer é coisa burguesa - como se os trabalhadores não gostassem de comida boa, de cerveja e de transar. Droga! Ficaram mais próximos do papa do que de mim. Meus discípulos ficaram com medo de que eu fosse considerado um babaca romântico. Transformaram-me num rigoroso economista. Um economista, de fato, vale muito mais como "mercadoria" que um poeta romântico. Num "curriculum vitae" se pode escrever: "Profissão: economista". Mas só um louco colocaria " poeta romântico". Românticos não são mercadorias, não arranjam empregos... Estudei a panela por causa da moqueca. Estudei o violão por causa da música. Estudei o trabalho por causa da felicidade. Estudei o capitalismo por causa do prazer. Aquela sua idéia de tocar a economia com caixas registradoras e pandeiro, música tocada em movimentos rápidos e ritmos sincopados, a performance acontecendo em bancos e bolsas de valores: isso não tem nada a ver comigo. O dinheiro tem de ser subordinado ao prazer, a utilidade tem de estar a serviço da alegria. Será que isso é possível? Ou será só um sonho? Bem sei que os experimentos fracassaram. E nem poderia ser de outra forma. Os novos cozinheiros não me entenderam: só trocaram o formato das panelas e o livro de receitas, substituindo o poder abstrato do dinheiro pelo poder sem face da burocracia. Minha esperanca era de que nesse caldeirão chamado história, fervente ao fogo da dialética, se consumasse o preparo do prato escatológico do prazer: a educação dos sentidos e a produção do banquete, para todos. O sonho não morreu. Ele continuará, para sempre. Pensei que ele morasse no coração da história. Pensei que a história tivesse coração. Talvez eu tivesse me enganado. Os sonhos só moram no coração dos homens. Somos incuravelmente românticos. Os homens haverão sempre de sonhar com o prazer e a felicidade. Por isso, eu preferiria que a "variação" que me cabe fosse tocada suavemente, ao violino, como fundo para um jantar à luz das velas, onde o amor e o prazer são servidos gratuitamente, e o corpo, embriagado de alegria, se pusesse a sonhar... Os membros do partido e as esquerdas vão me reprovar, e dizer que isso não combina com minha conhecida solidariedade operária. Eles não entendem. Pensam que ser solidário com pobre é gostar de pobreza. Ser solidário com pobre é sofrer a pobreza deles e sonhar sonhos de prazer e riqueza. Os sonhos são sempre a subversão da realidade. Trabalhador não sonha com angú e feijão - não é preciso sonhar, para isto basta abrir os olhos. Trabalhador sonha é com coisas bonitas e gostosas. Bem que gostariam de comer o que comem os patrões, e não só a raspa da panela. Está lá dito pelo Vinícius, no "Operário em Construção". Porque, como disse muito bem o Joãozinho Trinta, "quem gosta de pobreza é intelectual. Pobre mesmo, gosta é de riqueza..." Ditas essas palavras ele esvaziou a caneca de cerveja, apagou o charuto fedorento no cinzeiro, e se foi.
Escrito por Luinha às 20h52
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Profº Hermógenes
É o crédito que damos às aparências que lhes atribui realidade. Do livro: Mergulho na Paz
Ref: http://www.cris.bigardi.nom.br
Escrito por Luinha às 07h24
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Dicas do Profº Hermógenes
Vale a pena conhecer o trabalho do Profº Hermógenes. http://www.cris.bigardi.nom.br/yoga/darma.htm
Viver é fácil; saber viver, no entanto, não é para qualquer um. Ainda mais quando se chega aos 82 anos de idade com a saúde perfeita, o corpo ágil, a mente funcionando a pleno vapor e o coração repleto de amor e alegria. Exemplo vivo de que o corpo e mente são feitos para durar, e não para adoecer, professor Hermógenes, descobriu no yoga a fonte da juventude. Ou melhor: a fonte para prolongar a juventude e envelhecer bem. O dia de Hermógenes após 5 horas de sono; inclui meditação, sempre em jejum antes dos sol raiar; caminhadas de uma hora e meia ao som de mantras e orações; práticas de yoga (até durante o banho); alimentação vegetariana que inclui, no café da manhã, iogurte caseiro com granola, torradas e pão integral com queijo sem gordura e chá. Muita fruta, verdura, legume, raiz, cereais integrais e as vezes peixe nas refeições; relaxamento profundo de no máximo 10 minutos, após o almoço. Além de muito entusiasmo para viver e vontade de continuar produzindo.
Escrito por Luinha às 07h21
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ILUSÕES DO AMANHÃ

ILUSÕES DO AMANHÃ Por que eu vivo procurando Um motivo de viver, Se a vida às vezes parece de mim esquecer? Procuro em todas, mas todas não são você Eu quero apenas viver Se não for para mim que seja pra você. Mas às vezes você parece me ignorar Sem nem ao menos me olhar Me machucando pra valer. Atrás dos meus sonhos eu vou correr Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder. Se a vida dá presente pra cada um O meu, cadê? Será que esse mundo tem jeito? Esse mundo cheio de preconceito. Quando estou só, preso na minha solidão Juntando pedaços de mim que caíam ao chão Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou. Talvez eu seja um tolo, Que acredita num sonho Na procura de te esquecer Eu fiz brotar a flor Para carregar junto ao peito E crer que esse mundo ainda tem jeito E como príncipe sonhador Sou um tolo que acredita ainda no amor. PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - Aluno da APAE) Excepcional é a sua sensibilidade!
Recebi um pedido de uma amiga para divulgá-lo, nem precisava. É uma delicada poesia ... daquelas que dominam completamente meu coração. Ai ai
Escrito por Luinha às 07h21
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Âpresentação Woodstock
Abaixo um texto desses imperdíveis de minha queridíssima amiga Lú, a Luz do HT.
Ela, que tem o dom das letras em seu coração, arrasa geral com a apresentação do melhor festival de rock de todos os tempos. Imperdível!!!!!
Paro os jovens amigos, o festival foi um marco histórico da história da transformação do humano na Terra.
Dêem uma espiadinha. É logo ali...
Escrito por Luinha às 09h22
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Woodstock
Oi querido amigo,
Você e Luinha sempre me inspirando. Em função de seus comentários ontem sobre Woodstock, resolvi desentocar meu dvdzão do dito cujo. Three days of music, peace and love. São dois discões com 4 lados.
Fui seguindo passo a passo começando pelo making of da montagem estrutural do evento. Malucões invadindo colinas das fazendas. Calça Lee coladinha nos corptchos magricelas em grande parte, graças às drogas consumidas. Cabelões, bandanas, cigarro na boca, peito de fora, eles mesmo dirigindo tratores, arrastando toras de madeira, dependurados nos guindastes, construindo o palco. Ao redor, acampamentos. Mulheres, saias longas, barrigões, crianças. Uai, o que essas três freirinhas lindinhas e inocentes, estão fazendo lá mandando para a câmera o sinal de paz e amor? Olha lá heim, meninas...
Homens a cavalo, cowboys, barbichas ralas, enormes. Filas e filas de carros, modelos variados, rabos de peixe, uns carros esquisitos, tem um que parece uma canoa com rodas e, fuscas muitos fuscas.
Depoimentos dos responsáveis pelo evento (malucões empresários) e também dos fazendeiros, boquiabertos e abestalhados com toda aquela celeuma.
Começa o show. Richie Havens, um negão imponente, arrasando no violão. A câmera pegando o detalhe do frenético pé dele, sobre o assoalho de madeira do palco, no ritmo e batida das cordas ágeis. Lindo.
Joan Baez cantando e dando o seu depoimento com sua voz de timbre triste e bonito.
The Who com o queixudo Roger Daltrey, cantando o tema de Tommy e outras. A fala do guru Maharishi sobre o momento americano.
Uma coreografia animadinha (agora sei de onde os Titãs buscaram inspiração para o clip de Sonífera Ilha) dos Sha-Na-Na, num rockzinho maneiro e gostoso.
Agora temos instruções de Yoga. Opa, chegou ele, o bonitão Joe Cocker, ao vivo e a cores, com suas arrasadoras costeletas ruivas, enormes, tomando todo o rosto quase. E cantando, é claro, With a Little Help from my Friends. Gente, adorei a botinha azul marinho dele cheia de estrelas brancas. Uau, super fashion. Hehehe...
Lindas tomadas do lugar. Tela dividida em duas. À direita uma meia lua linda, assim um tanto sonânbula, espiando a galera e à esquerda, silhuetas dançantes, contrastando com o crepúsculo azulado.
Xi!!! Começou a maior ventania. Muita confusão no palco, com os cabeludos organizadores se movimentando, tentando impedir o caos. Um cara aos berros (doidões também se estressam, pelo visto – hehehe) cuidando das torres de metal onde se apóiam os toldos que cobrem o palco. O povo agora grita em uníssono “NO RAIN!!!!”. É, mas a natureza segue inabalável aos apelos, o seu curso natural, e desaba o maior temporal. Uma loucura...Gente se cobrindo com capas improvisadas, outros peladões, carregando à tiracolo, a roupa, com certeza a única para ser usada nos três dias. Uma verdadeira Celebration in the Rain como foi batizado no disco.
Tudo virou um lamaçal. Uma procissão encharcada, gente, cachorro, tudo ensopado. Os mais radicais, tipo você assim, hehehe, praticam agora o surf na lama. E vale tudo. Escorregões, empurrões, o maior "bundalelê"...
Alguns grupos, mais inspirados, tocando e cantando ao som de instrumentos improvisados. Tambores, pandeiros e até, ou principalmente, latinhas de cerveja. Muuuuitas...É a nossa batucada daqui, só que mais ao estilo Hare Krishna. Uma gente louca e maravilhosa. Tem gente rindo, se drogando e até fazendo amor na moita.
Começa então uma batida country (adoro este estilo), Joe and the Fish, Rock and Soul Music. Muito bom. Um dos guitarristas destoa do resto da banda, mais sóbria, com seu camisão estilo hawaiano, colorido que só ele.
E a droga rolando, de mão em mão, boca em boca, cuca em cuca.
Um tal de John Sebastian, bunitin (cada fala dele vem acompanhada, ao final, de um ...MAN), entoa uma canção lenta, Younger Generation, embalando com sua linda voz, o já “embalado” público. E a tomada se volta, bem apropriadamente, para as crianças presentes. Lindas, de todas as idades e cores, a maioria pelada e nem aí.
Muita música country evidente. Muito bom...
Yes! Santana, novin que só ele. O cara é fera e pelo visto eterno. Que espetáculo de banda a dele e que sonzão. Arrasou e delirou a platéia... Hurruw!!!
Credo, agora apareceu um banguela aqui, desdentado, falando umas maluquices sobre o despertar. Pô! Já amanheceu o dia, cara...Hora do breakfast para, acredite se quiser, 400.000 pessoas. Uau!!
Eca, agora estão limpando as privadas. Yach...
Luz na passarela que lá vem ela. Sim a mágica guitarra de Jimi, ele mesmo, o Hendrix que encerra o dvd com sua camisa toda franjada e seu estilo único. Ele era canhoto, eu não sabia. Aí negão bom demais da conta. Valeu...
Acabou o show. Que sujeira ficou o lugar. Gente, agora vamo limpar né? Hehehe...
E aí, gostou da minha narrativa caipira deste mega evento histórico, meu amigo?
Queria que vc pudesse ver o dvdzão. Muito legal. Todo em inglês, sem legenda.
Vou indo agora. Tô assim meio doidona também sabe, contagiada pelo povo de lá.
Falow, MAN...Só...
Inté
Lú
Escrito por Luinha às 09h12
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Mahda-Kai? Você está Pronto?- Madadayo. Ainda não.
Ontem quando iniciei o papo por aqui estava completamente dominada pela beleza do filme Madadayo de Kurosawa. Acabei me embrenhando por outros caminhos. Foi gostoso também, mas estou aqui de volta. O filme é uma obra prima. Obrigatório para professores, pais, alunos, toda gente. Estou até agora embalada pela sua beleza. Conta a história de um grande mestre japonês, idealista, que passou toda sua carreira a partilhar com seus alunos muito mais do que seus conhecimentos acadêmicos. Ele toma a decisão de deixá-los, após 30 anos de trabalho, para viver como escritor. É incrível que com uma disciplina tão rígida do Japão do início do século passado, ele consiga mostrar com muita simplicidade toda sua emoção. Um exemplo de vida em ação sem qualquer pieguice. Seus alunos, por sua pureza, o apelidaram de ouro-maciço. Como retribuição resolveram apoiar o velho professor durante quase 2 décadas seguintes. Passam dali por diante a comemorar todos os aniversários do agora escriba. O velho professor, um modelo de alegria e disposição, combina então que todas as vezes eles deverão cantar uma música que pergunta se ele já está pronto para morrer, e ele responderá, quando chegar a sua hora, que sim, mas enquanto não, responderá em alto e bom tom “Ainda Não”. Como pano de fundo um Japão em luta, as enormes dificuldades do pós- guerra, as mudanças oriundas do domínio americano e o desenvolvimento cultural. É maravilhoso assistir a um filme de tamanha delicadeza e sabedoria. Eu lhes digo agora Madadayo... ainda quero muitas coisas. Sai ram
Escrito por Luinha às 18h23
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Mahda-Kai ... Madadayo
Hoje bem cedo acordei com o coração adoçado pelo agitado movimento dos pássaros de minha Santa Teresa. É carnaval e é só alegria. Algum tempo não dormia com tão boa companhia. Acordamos cedinho, na mesma hora. Depois de um delicioso café fomos logo nos aninhando para assistir mais um filme. Ontem foram 3 ou 4. Nos intervalos o papo correu solto. Clarissa Pinkolá Estes, em Mulheres que correm com lobos, circundou a maioria de nossas conversas. Ao nosso dispor 22 filmes. Toda a obra de Akira Kurosawa e alguns outros. A série dos filmes do grande mestre japonês foi presente para as férias de um dileto companheiro de trabalho. Adoro o seu bom gosto. Descobrimos mais essa paixão em comum. Bateu-me uma saudade daquele tempo bom da faculdade de psicologia. Tantos encontros para vermos filmes. Lembrei-me ainda que quando estava trabalhando na universidade, organizamos uma noitada com os estagiários cinéfilos. O debate regado a todos os estímulos apropriados à época foi conduzido por 2 sedutoras psicólogas. Exigiu uma projeção de Ran que durou 9 horas. Viramos a noite. Foi muito gostoso. Ontem o dia correu com muito mais tranqüilidade. Assistimos Dodes´Ka-Den - O Caminho da Vida, de Akira. O filme(1970) uma comovente crônica sobre o quotidiano de uma favela de Tóquio que expõem com brilhantismo a realidade invisível da grande metrópole que sufoca a vida dos excluídos. Muito bom... Aproveitamos para assistir Tudo sobre minha mãe de Pedro Almodóvar. Por um descuido perdi a oportunidade de vê-lo na telona. Ai ai ... Gosto muito de tudo que ele produz. A delicadeza e poesia com a qual retrata o interior de seus personagens é espetacular. É um encontro com as emoções de cada um de nós. Derramei suaves lágrimas. Recomendo. Tentamos assistir Através das Oliveiras, de Abbas Kiarostami, mas interrompemos no meio. Nossa eletricidade não permitiu terminarmos, passamos adiante. Certamente irei rever o interessante filme iraniano ainda esses dias. Retrata os bastidores do cinema e um romance quase impossível entre 2 habitantes de uma região iraniana. Adorei a sinopse e a mensagem de que “ Mesmo quando nada mais é possível, sonhar não é impossível.” Para fechar o dia revemos uma produção de 1989, Rosalie vai as compras, do diretor alemão Percy Adlon. O filme de refinado humor (indicação da sinopse) apresenta com maestria o hoje bem definido quadro das ditas compulsões sociais. Vale a pena conferir. Ontem foi um dia muito especial. Até as horas pareciam cooperar. Fomos almoçar com um casal de amigos que fizeram uma comidinha muito especial. Vimos suas fotos de nossas férias e combinamos novos passeios. Acompanhando os filmes comemos pipoca e castanha de caju. A bela Sapa brindou-nos com um jantarzinho que foi de lamber os beiços. Baixei ainda o Mozilla orientada pelo meu querido lobinho que sempre produz em mim uma alegria extraordinária. Ganhei mais uma música de seu arsenal de maravilhas. Estou muito feliz, é carnaval e ainda não comecei a escrever sobre o filme que mais me tocou. Mamadayo. O blog tem limites e ficará para daqui a pouco. Beijos
Escrito por Luinha às 17h09
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Olhem que lindo!!!!
Tenho algumas pessoas especiais em minha vida. Maravilhosas!!!!!! Eu as amo.
Oto é uma delas. Hoje banhei-me com suas lindas mensagens. Ele as dedica a sua bela deusa. Eu, de intrusa, trouxe uma para cá para adoçar nossos corações. Para acompanhar ouço Oblivion de Piazzolla. Ai ai ... uma beleza. Tudo perfeito...
Oto, resolvi agradecer por aquela fria mulher com uma pedra verde no lugar do coração.
Beijos

Meu Jeito de Amar (Marici Bross)
Meu jeito de amar A ti parece encantar Num ir e vir Que nem tu entendes
Sou assim, mas nem tanto Amo a vida e o amor Amo o sol que bronzeia minha pele Amo a chuva que desce por meu corpo Num fluir de emoções.
Amo a lua prateada A namorar meus cabelos, Amo o verde das matas A refletir em meu olhar.
Amo a vida e tudo que me oferece Amo teu vulto que chega sorrateiro Amo teus lábios que procuram os meus Amo tuas carícias que percorrem o corpo meu. Amo este sonho sonhado De você!
Escrito por Luinha às 16h17
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