Lua Azul
   Serra do Umbu

Ontem dormi logo depois das galinhas num sono profundo que não me permitiu lembrar de mais nada. Creio que o dia cheio de pensamentos e pouca ação esgotam qualquer um. Muito sábio o conselho que dei para um jovem hiper carinhoso e inteligente, que andava amofinado com a vida: - “Vai suar sua camisa. Explore seu corpo físico até quase a exaustão.” Está com nada isso de só usarmos o tempo todo somente a parte indelével do corpo, o mental. Uiui ... conselho bom pra mim e pra ele. Lembrei-me logo de meu ex2 que diria: “ Vai lavar um tanque cheio de roupa” Sem dúvida, ele é o pior psicólogo que conheço, mas já contei aqui que fora a incapacidade no trato, admiro muito essas tiradas dos machos, funciona. Isso me lembra o segundo filme coreano que vi ontem e ainda não lhes falei a respeito, em tempos modernos de máquina de lavar, o personagem usa os braços para lavar a roupa que encontra suja nas casas que invade. Bem ao estilo da velha desdentada que sacode os ossos em “Mulheres que correm com lobos”, de Clarissa P. Estes. Uiui... adorei. Fiz algo muito parecido recentemente, quando resolvi remodelar a casa com as próprias mãos.

Isso me lembra que falávamos nessa semana que se foi, que incrível como somos preconceituosos quanto às doenças da alma. Todos entendem com clareza que meu joelho dói e melhora, nessa incansável e irritante punhetação, já se soubermos que alguém tem TOC, bi-polar, esquizofrenia, etc , já ficamos logo com a pulga atrás da orelha, quanta ignorância, doença só dá em gente.

Imagine que num dia de verão quentíssimo e céu azul forte fiquei enfurnada em casa de bobeira o dia todo, mas obriguei-me a tal por conta do joelho que na sexta voltara a doer loucamente. Pretendo voltar à vida a todo vapor na segunda junto com o Brasil.

Não tive um dia perdido, vi na TV Rural um programa sobre as nascentes lá da Serra do Umbu, que me deixou doidinha pra fazer logo a viagem que pretendo ao Rio Grande do Sul. Nem sei se a coluna me permitirá cavalgar, mas irei de qualquer jeito. Andarei de barco e mergulharei naqueles rios e cachoeiras, podes crer. Deitarei debaixo de um daqueles umbus e deixarei a imaginação ir adiante igual ao dileto professor Juremir.

Ontem conversei com os queridos Lu, Junim e Lex. Antes de dormir vaguei sobre a bela baía de uma região praiana de Portugal, com companhia sempre bem-vinda. Valeu a pena à reclusão forçada, hoje temos um repeteco de dia ensolarado, passarei boa parte do dia fora num churrasco festivo na casa de um jovem amigo, que considero parente, e pessoa que admiro demais por conta de sua coragem em assumir responsabilidades. Sei o quanto é duro, quantos erros e acertos, quanta vida. Para garantir o bom humor tomei um celebra200, que ainda estava por aqui.

Entretanto o que me arrastou até o pc esta manhã foi à crônica de hoje de Juremir Machado da Silva. Eu a li ontem, às 21 horas já estava disponível. Enfim ele fechou a trilogia sobre nós mulheres. Ai ai...

With Love



 Escrito por Luinha às 06h06
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   A interesseira, por Juremir Machado da Silva

Praia permite refletir sobre assuntos pendentes. Descrevi a interessada e a interessante. Faltava a interesseira. O problema da interesseira é que, em geral, ela é muito interessante. Sexualmente falando. Mas totalmente desinteressada. E quase sempre é gostosa, sensual, envolvente e cretina. Quanto mais gostosa, mais cretina. Eis a equação: se a 'gostosice' cresce em proporção aritmética, a cretinice cresce em proporção geométrica. Há um viés masculino ressentido nessa leitura capaz de abalar a objetividade matemática. Claro que isso não é válido para todas as gostosas. A ciência localizou gostosas absolutamente não interesseiras, desinteressadas no sentido nobre do termo. O primeiro caso foi localizado na Nova Zelândia. Numa tribo em extinção. Parece que existem muitas assim no Brasil, especialmente na Zona Sul do Rio de Janeiro. Mas elas disfarçam bem. São discretas.

A interesseira é paradoxal. Por um lado, parece totalmente alienada. Não consegue sequer decorar a escalação do Internacional. Por outro lado, tem excesso de consciência: da sua beleza e do seu poder sobre os trouxas. Anti-humanista por intuição, para ela a cultura ocidental errou ao colocar o homem no centro do seu universo. Mesmo assim, ela vive em torno do sexo masculino para melhor saqueá-lo. Para a interesseira o homem não passa de um objeto. Safada! Nada mais insuportável, desumano e indigno. Onde já se viu tratar uma pessoa como se fosse apenas um objeto de desejo, de cobiça e de auto-satisfação! A interesseira despe o homem da sua transcendência. Faz dele um joguete, um reles brinquedo sexual provisório.

Os homens adoram isso. A interesseira inverte o jogo da dominação masculina. Os seus métodos são conhecidos e infalíveis. Ela é uma espécie de Garrincha enfrentando os russos. Todos os homens não passam para ela de um 'João' qualquer. A estratégia é sempre a mesma. Primeiro, ela finge que não quer. Depois, sensibilizada pela insistência da presa, cede um pouquinho para que a vítima sinta o gosto do aparentemente impossível. Por fim, conforme os seus caprichos, cai fora, corta o oxigênio do dependente e o força a agir como um cão. O idiota, mesmo pilhado, traído e sacaneado, sempre descobre, onde qualquer outro, de fora, nada vê, um indício de uma paixão ou de um amor inexistente. O homem apaixonado por uma interesseira pede perdão quando ela o trai e é capaz de explicar os próprios chifres pela sua desatenção ou incompetência. Pobre corno!

 O maior problema da interesseira é que ela costuma ser muito boa de cama. Só que gosta de carros, prestígio, viagens, poder e tudo o mais que custe caro. O homem na crise dos 40 tem a ingenuidade de crer que poderá transformar uma interesseira interessante em interessada. Dificilmente uma interesseira passa das medidas. Está sempre dentro do padrão louvado pela mídia. A interesseira costuma passar mesmo é o do limite: do cartão de crédito do babaca. A interesseira é realista. Sabe que todo homem tem seu preço. Sabe também que ela mesma é uma moeda forte. Já o homem na crise dos 40, em momentos de cínica lucidez, acha que todo prazer tem o seu custo e aceita pagar bem acima do valor de mercado. Sujeita-se a ser objeto para ter a mão o objeto dos seus desejos, obsessões e sofrimentos. Na crise dos 40, porém, os homens quase nunca são cínicos.

Tudo o que um homem na crise dos 40 quer mesmo é sofrer nas mãos de uma interesseira interessante. Normalmente a interesseira é precoce. Atua como um jogador de futebol. Começa cada vez mais cedo e sabe que a carreira é curta. Além disso, a concorrência é selvagem. Tem sempre um novo talento surgindo. O negócio é fazer o pé-de-meia logo, de preferência no exterior, em Paris ou Miami. E aí reside o ponto frágil da interesseira. Ela sonha em se apaixonar, casar e viver na 'servidão voluntária'. Mas só depois de pendurar as chuteiras. Do ex-marido. Toda interesseira é uma Emma Bovary dotada de senso prático e que leu Pierre Bourdieu e Michel Houellebecq. Sabe que o sexo é 'um sistema de hierarquia social' e que as relações entre homem e mulher são um campo de luta onde só o mais forte sobrevive. Imagino que muitas mulheres venham a se aborrecer com este olhar imparcial. Bobagem. As interesseiras são digna de admiração. Afinal, são elas que dominam o mundo neoliberal do amor. Eficaz e privatizado.


juremir@correiodopovo.com.br

Correio do Povo
Porto Alegre - RS - Brasil


 Escrito por Luinha às 05h16
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   Provébio antigo do Quênia

"Trate bem a terra. Ela não foi doada a você pelos seus pais. Ela foi emprestada a você pelos seus filhos".

 Escrito por Luinha às 06h05
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“Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu”

Acordei pensando nas coisas que a gente cultiva e na lente poderosa que temos ao nosso dispor. Imaginação... como és poderosa. Tens o poder de dar ou não sentido até mesmo a vida. Imediatamente me veio a lembrança Chico Buarque, com Roda Viva, e, Juremir Machado da Silva, com seu livro Tecnologias do Imaginário.

Ontem fiz minha primeira pátina. Acreditem, o homem cobrou R$120,00, pelo serviço. Achei muito caro; ando duríssima. Resolvi tentar e funcionou. Gastei exatamente R$ 25,00 e sobrou material para fazer em muitas outras coisas. Foi relaxante descobrir a mudança, prazeroso deslizar o pincel pela madeira e afrodisíaca a sensação que pintou por aqui. Moldar massa e mexer com tintas é algo que sempre mexe poderosamente com a energia da sexualidade. Agora tenho uma bela mesa de TV em pátina branca na sala.  Preciso catar 2 homens para voltarem com a pesada TV de 34´ para lá.  Fiquei animada com o resultado, em breve farei nos bancos da cozinha vermelho sobre rosa. Combinará com tudo branquinho que por lá. 

Mudei tudo por aqui, raro ter esses anseios de mudanças assim. Lembro-me que a última vez foi quando me separei de meu primeiro ex-marido. Percebo agora que os cinqüenta pesam tanto quanto.

A sala está uma bagunça só, mesa de jantar com TV, mesa de TV no centro, 6 tijolos no chão sobre jornais. Gesso e várias espátulas ao lado.

Passei 3 dias para decidir o que fazer para apoiar um blindex de 2,09 por 65. Montarei uma mesa baixa sob a janela para colocar plantas, arranjos e enfeites. Comecei com tudo que quero colocar sobre ela.  Os arranjos estão tão naturais que se confundem com os verdadeiros. Preparei um balde com várias velas de todos os tamanhos para uma noite especial. Tudo feito por mim. Nunca pensei que fosse capaz, mas sou.

Lembrei-me do filme que fui assistir ontem à noite “A Procura da Felicidade”, baseado em história da vida real, um exemplo de determinação e muita coragem. Gostei, mas embora tenha final feliz, o filme é tão denso, que não saímos esfuziante do cinema.

Depois de ter falado com gregos e troianos decidi-me pela sugestão do ex2. Vaidoso por conta de ter me dado a melhor dica, mais barata, desfez de todos os outros, “despreparados”. Muito prático e objetivo, leva vantagem porque me conhece muito bem. Senti certa inveja de um amigo comum, por conta de ter vindo dele a solução definitiva. Homens são sempre deliciosamente competitivos.

Ontem fui à feira comprar mais folhas e legumes, e, ainda, ao banco e loja de material de construção. Fiz frango e carré assados na panela. Preparei uma salada de folhas variadas, tomates, pedacinhos de damasco e queijo ralado.  Aproveitei ainda uma abobrinha grelhada com pimentões vermelhos, uiui... adoro.

Só agora percebo que fiz é muita coisa boa. Não sei por que apareceu aquela sensação de pouco no início da noite.

“No volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração”

Há males que vem pra bem, liguei para vários amigos, matei um pouco da saudade e deixamos agendados alguns programas para a semana.

Ia esquecendo de contar, hoje tinha praia básica com 2 amigas, mas o tempo amanheceu nublado. Tenho pendente o serviço de moldar com gesso os pés que apoiarão o blindex. Estou ansiosa para ver se dará certo. O ex2 me deu todas as dicas por fone. Claro que pesquisei tudo pela internet , adorado amigo, mas sempre me sinto mais segura em aprender com gente. Partilham um pouco de suas energias, competências e  coragem.



 Escrito por Luinha às 10h49
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