Lua Azul
   Touro indomado

Ontem à tarde eu e a filha ficamos deitadas na sala juntinhas de perna para o ar para assistir “Touro Indomável” filme de Scorsese com Robert de Niro.

Inicialmente reclamei por sua escolha. Ora, não agüento mais tanta violência, percebo que tenho limites. Ela defendia-se: “Trata-se de um clássico, uma obra prima”. Resolvi dar-lhe um voto de confiança e mesmo enfiando a cara no travesseiro todas as vezes que a porrada comia solta, vi de ponta a rabo tudinho. 

Sempre gostei de acompanhar as escolhas de meus filhos. Vi com o mais velho a saga do tarado assassino da motoserra  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, até sei lá quantos. Tudo lixo e porcaria, mas precisava viver com ele aquilo para expor toda minha ojeriza. Creio que ele assistia só para me ver reagir muito. Os filhos adoram testar e manipular nossos limites. Eu aproveitava aqueles momentos para discutir o que era essencial em nossos valores. Enfim a fase perversa de testar os seus e os meus limites durou pouco. Ele tornou-se um belo adulto. Lembro-me até hoje dele pequenino brincando com sua coleção de bonecos guerreiros, quando ele saía um instantinho, eu os colocava sentados numa mesa redonda, olho no olho, negociando a paz. Quando ele voltava, sorria ao ver-me manipulando os bonecos de diferentes facções, num diálogo enérgico pela desejada utopia. Creio que são essas pequenas oportunidades no convívio com os filhos que nos fazem cada vez melhores.

Desde pequenos mostrei-lhes o que poderíamos fazer com nossos olhos. Fico assustada como se parecem comigo, por não delegarem aos outros suas próprias responsabilidades. Isto as vezes é tão difícil de ser digerido.

Voltando ao filme, a filha não estava enganada, filmaço este drama psicológico. A trilha sonora excelente, a atuação brilhante dos atores, tudo muito bom. O roteiro impecável vai desnudando o dia a dia da luta do homem pela glória, os perversos jogos que nos impõem às relações humanas, o lixo emocional gerado, as patologias mentais que não são tratadas impondo tantos males e dores. A fita não perde o pique mostrando com competência a curva do poder, sua ascensão e queda.

A filha dá uma acordada aqui e blasfema contra São Pedro por conta do céu estar nublado, mas com mormaço. Diz que isso só acontece com ela.

Shanti

Luinha



 Escrito por Luinha às 09h01
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   mais um tanto da delicadeza de Clarice Meireles

Tu és como o rosto das rosas:
diferente em cada pétala.
Onde estava o teu perfume? Ninguém soube.
Teu lábio sorriu para todos os ventos
e o mundo inteiro ficou feliz.

(Cecília Meireles)


 Escrito por Luinha às 14h46
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